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A Relevância de Silicon Valley para Portugal

Podemos ser levados ao engano. Silicon Valley está distante geograficamente, mas em termos económicos é um dos caminhos mais directos para a revitalização da economia portuguesa. Nesta economia global, a sua potencial relevância para a economia portuguesa é enorme e a actual desatenção do mundo empresarial e dos poderes públicos pode vir a pagar-se caro. A viagem integrada do Presidente da República, do Governo e uma delegação de empresas tecnológicas a Silicon Valley é um passo no caminho certo, a desenvolver.
Só com novos serviços, produtos e empresas é que vamos conseguir aumentar as nossas exportações dos actuais cerca de 30% do PIB para 50% do PIB (arredondando, 40% é a média europeia e 60% a média de países europeus da nossa dimensão), ou seja, exportações adicionais às actuais em cerca de €36 mil milhões por ano.

Só com novos serviços e empresas é que vamos conseguir aumentar as exportações.

Os hyperclusters mundiais de empreendedorismo e inovação são os principais geradores de novas empresas e novas inovações que alimentam o crescimento económico mundial.

Mitsuyuki Ueda da Universidade de Tóquio, entre muitos outros, mostrou como estes centros
têm uma vantagem cumulativa que se perpetua e que não são fáceis de criar. Por isso, quanto mais ligado se estiver a estes centros, mais vantagem competitiva se ganha. Silicon Valley é o maior destes hyperclusters e a maior gateway para a economia global. Nos últimos 3 anos, 45% dos cerca de 20 mil milhões de USD/ano investidos pelas capitais de risco nos EUA tem sido em Silicon Valley. Este é o investimento que mais empregos e crescimento económico tem criado, de onde resultaram as maiores empresas tecnológicas mundiais da actualidade.
A ligação a Silicon Valley das empresas portuguesas – start-ups, PME e grandes empresas - traz muitas vantagens individuais: definição de modelos de negócio competitivos no mercado
global,maior foco da inovação radical que cria vantagem competitiva a nível mundial e não apenas na economia local, acesso a smart capital que financia mas também abre portas a uma rede de conhecimento de ponta e de network comercial mundial, imersão numa cultura empresarial focada no mérito,no risco e nos resultados.

Mas as vantagens de um esforço colectivo e estruturado – cadeias de valor integradas, trabalho em rede e concertado,privado/público - são ainda maiores e tem um impacto estrutural na competitividade da nossa economia como demonstram vários estudos recentes (ver
PeterCohan, Itxaso delPalacio, JerryEngel).

A nível internacional, pequenos prestadores de serviços, grandes empresas mundiais, cidades, regiões e vários países já estão há vários anos a desenvolver uma aposta de ligação a Silicon Valley das suas economias, empresas e ecossistemas de apoio à inovação e ao

empreendedorismo. Os exemplos não vêm somente da Europa, caso dos países Nórdicos e do Centro da Europa,da Espanha e da Irlanda e de vários países de Leste. Economias de referência como Austrália, Canadá, Singapura, Chile, México e Rússia, têm estado a reforçar as suas ligações a Silicon Valley. Países asiáticos e africanos começam a explorar esta ideia. 

Vamos continuar desatentos?

O Programa GSI Accelerators (www.globalstrategicinnovation.com) que já congrega várias entidades portuguesas (AICEP, BES, EDP, FLAD, BRISA, RESUL, ANA, ANEMM, AIDA, Microsoft Portugal, Lispolis, Beta-i, e conta como Alto Patrocínio do Presidente da República) e já colocou 8 empresas portuguesas na maior incubadora de tecnologias dos EUA – o Plug and Play Tech Center) é um embrião que merece ser aproveitado com seriedade e que irá integrar brevemente outros parceiros.

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